quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ser sendo

Se fôssemos nos preocupar com os outros
e as vidas que nos esperam os tempos,
as Eras que ainda não morreram
serviriam para alguma coisa.

Serão vistos, os homens, com mais olhar
de crítica.
Dirão, decerto, as revistas que
ser gente está fora de moda.

Se o homem não sofre nunca,
que deve então fazer com sua mediocridade
senão comê-la ao avesso ao invés de vomitá-la.

Seríamos mais hipócritas se não o fôssemos de verdade.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Fim

Era como se fosse verdade.
As casas iam-se derrubando uma a uma,
ao passo em que o Sol derretia-se no horizonte.
Era o ocaso de uma Era.
Era como se fosse verdade.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Chover

Vou chover todos os dias em teu colo
Derramar em ti minhas alegrias, meus sorrisos.
Quero sempre ter contigo muito tempo,
Quero sempre amanhecer num só momento.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Que os santos me guiem com seus pecados antigos.
Saberei, com isso, me desfazer de velhos documentos.
Guardados em prateleiras sujas do tempo
salpicados com o cuspe que jorra incessantemente
da boca dos anões inquietos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DESCONTROLE

Leio as palavras soltas pelo chão
Coberto de desejos de carícias, de perdão.
Soletro a infinidade de olhares que me cercam
Refaço,em silêncio,essas preces que me ofertam.

Sento-me no escuro, sem medida do impossível
Trabalho num projeto, infundado, percebível.
Só sonhos, os mais vis, é que me livram desse mundo
Externo-me de mim, internando-me em tudo.

Solfejo, sem cessar, canções brancas, invisíveis.
Maculo-me os olhos com imagens inaudíveis
Que mudam, a todo instante, suas formas, suas cores...
Instigam-me à inércia delirante de horrores.

Alcanço na renúncia a liberdade sem sofrer
Emana da ilusão retratos velhos. Reviver.
Acabam-se as luzes coloridas da verdade
Sobrou-se apenas nada, nem um tanto de saudade.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

olhos

Os olhos às vezes param.
Para planejar,
Para planar por sobre outros olhares,
Por sobre cabeças.
Em por-de-sóis cansados,
calçados com chinelos de couro ou de nada.
Os olhos às vezes cansam.
De serem olhados
De se olharem.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sentir Frio

Ouvia os sons do tempo como quem sofre.
O contínuo estalar dos galhos secos no fogo
faziam tristeza em seu olhar.
Socorria a si mesmo quando em seu peito
caíam os prantos do sentir sozinho as mágoas alheias.

Sentia o calor das coisas enquanto dormia.
A eternidade lhe cobria, sempre que a friagem
vestia de veludo a noite.

Olhava em volta e nada via, nada mesmo.
Tudo estava fora do seu campo de visão,
não porque ele queria assim,
mas porque tudo era como que determinado.

Sumiam-se as coisas e o nada ocupava o lugar.
Só sentia frio nas noites quentes.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Recortes espelhados

              Sorrisos estrondosos ecoavam garganta a dentro. O choro contido de dois dias atrás metamorfoseara-se em gargalhadas banhadas a soluços falsos. Os olhos faziam par com os lábios e com o restante do corpo, que se retorcia.
              Incontrolavelmente os pés dançavam volteando o quarto, repleto de retalhos de escritos e reflexos de sua alma inexistente. As fotografias invisíveis penduravam recordações cinzas nas paredes tortas e quase mortas. Sonhava desconfortos ao meio dia. Vomitava desavenças para as nuvens ao amanhecer. Escutava sua respiração debaixo dágua. Indolor.
Havia um sentimento incomum escrito nos lençois da sua cama. Numa língua desimportante. Com uma caligrafia razoável, quase audível.
             Quase audível como os gritos abafados que bradavam os pássaros por entre os galhos secos das árvores que nunca cresceram no infinito quintal que sua casa possuía.
            Pensava ter a mente repovoada um dia para que findássem os reflexos caleidoscópicos perturbantes.