Sorrisos estrondosos ecoavam garganta a dentro. O choro contido de dois dias atrás metamorfoseara-se em gargalhadas banhadas a soluços falsos. Os olhos faziam par com os lábios e com o restante do corpo, que se retorcia.
Incontrolavelmente os pés dançavam volteando o quarto, repleto de retalhos de escritos e reflexos de sua alma inexistente. As fotografias invisíveis penduravam recordações cinzas nas paredes tortas e quase mortas. Sonhava desconfortos ao meio dia. Vomitava desavenças para as nuvens ao amanhecer. Escutava sua respiração debaixo dágua. Indolor.
Havia um sentimento incomum escrito nos lençois da sua cama. Numa língua desimportante. Com uma caligrafia razoável, quase audível.
Quase audível como os gritos abafados que bradavam os pássaros por entre os galhos secos das árvores que nunca cresceram no infinito quintal que sua casa possuía.
Pensava ter a mente repovoada um dia para que findássem os reflexos caleidoscópicos perturbantes.