domingo, 25 de março de 2012
Poema para o nascimento do poema
Na noite nasce a poesia
pela madrugada ela enlouquece
e se rebela, vira adolescente.
Pela manhã, já madura,
reconhece-se como única, indivisível.
Ao meio dia sente-se infeliz com tantas rugas
e prepara-se para uma tarde solitária e fria.
O tempo, sem dó, castiga a poesia por toda uma tarde
até que ao cair da noite
a poesia evapora metamorfoseando-se
numa chuva iluminadora
respingando por todo canto
os sentidos incolores que permeiam
a mente dos homens.
quinta-feira, 15 de março de 2012
A andarilha
Vestia-se com o orvalho e apagava suas pegadas com sopros leves. A areia fina que se alojava debaixo das unhas formava um pequeno universo esquecível. Ali ficaria até o próximo banho ou até que ela se desse conta de que seu vestido de orvalho havia evaporado.
Caminhava à mercê das feras à beira de abismos plantados nas encostas próximas ao mar. Dividia-se entre pensar e contemplar seu futuro, soluçava o amargor do seu passado e via-se refletida num espelho sujo e sem luz.
Vivia o mesmo dia desde que decidira vivê-lo. Não tinha mágoas de si, nem dos outros. Era só por querer ser só.
Caminhava junto às manhãs e adormecia ao nascer da lua.
Caminhava à mercê das feras à beira de abismos plantados nas encostas próximas ao mar. Dividia-se entre pensar e contemplar seu futuro, soluçava o amargor do seu passado e via-se refletida num espelho sujo e sem luz.
Vivia o mesmo dia desde que decidira vivê-lo. Não tinha mágoas de si, nem dos outros. Era só por querer ser só.
Caminhava junto às manhãs e adormecia ao nascer da lua.
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