quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pequena Felicidade


Sinto. Muita felicidade refletida nos espelhos. Muito reflexo palpável. Muitas formas calculáveis. Sinto a pele que se esboça na ponta do lápis, no papel, na parede, no lençol.
Sóis. Lençóis. Lentos, quase parando. Quase que nem caminhando. Quase sendo ouvidos. Quase.
Saindo. Quase sendo esquecidos. Quase.
Talvez, quiçá o tempo nos ouça e possamos regurgitar tudo o que não falamos. Tudo o que engolimos sem querer. Quiçá, talvez as bolhas de sabão não mais estourem e seu vazio belo se promova se dissolva numa fusão confusa, explicável.
Belo seria. Todo o vazio se despejando no ar. Uma imensidão de palavras não ditas regurgitadas, vomitadas, execradas. Belo. Seria.
Mais ainda se os sentidos não mais pudessem ser sentidos. O gosto áspero do cheiro das janelas, o amargo toque que o vento molha, os frios raios de luz que chegam a fazer cócegas dentro de nós. E os nós não desatados debulhados, como a água enxuta das grotas do meio do mar. 

À SOMBRA DO NADA


Tateio a insignificância do teu sorriso. 

Misturo-a com minhas lágrimas vermelhas. 
Vou sentar contigo debaixo das horas, 
pois não sinto mais o tempo nas minhas mãos. 
Seremos felizes?

Entregue-me tua solidão


Deixe-me morrer na minha paz perdida, 

aqui dentro do nada. 
Nesse universo que criei para os outros. 
Deixe-me sozinho. 
Deixe-me comer meus pensamentos 
com aqueles talheres de barro. 
Vá! Fuja de minha ira indomável 
enquanto não lhe morda os dentes 
e sua ferida. 
Ande! 
Caminhe para o esquecimento das minhas vistas.
Vá para onde eu não consiga mais tocar seu perfume.
Deixa só um retalho teu, 
um corte, 
um grão de tua saliva junto à minha. 
Ou uma gota do teu suor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Inclinação

Quando os olhos não mentem
e as lágrimas secam
Uma gota de impedimento rola
sentimentos a baixo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

QUESTÕES SOBRE O TEMPO

Neste recanto achado, 
perdido dos outros, vive a incontinência, 
o andar desesperado das mágoas de outrem. 
Andarilhos correm pelas beiradas dos abismos
 toda tarde num despencar de palavras
 insossas proferidas pelas bocas mudas 
de quem não tem mais o que contar. 
Nada.
 Nem uma história de nada.