Sinto. Muita felicidade refletida
nos espelhos. Muito reflexo palpável. Muitas formas calculáveis. Sinto a pele
que se esboça na ponta do lápis, no papel, na parede, no lençol.
Sóis. Lençóis. Lentos, quase
parando. Quase que nem caminhando. Quase sendo ouvidos. Quase.
Saindo. Quase sendo esquecidos.
Quase.
Talvez, quiçá o tempo nos ouça e
possamos regurgitar tudo o que não falamos. Tudo o que engolimos sem querer.
Quiçá, talvez as bolhas de sabão não mais estourem e seu vazio belo se promova
se dissolva numa fusão confusa, explicável.
Belo seria. Todo o vazio se
despejando no ar. Uma imensidão de palavras não ditas regurgitadas, vomitadas,
execradas. Belo. Seria.
Mais ainda se os sentidos não mais
pudessem ser sentidos. O gosto áspero do cheiro das janelas, o amargo toque que
o vento molha, os frios raios de luz que chegam a fazer cócegas dentro de nós.
E os nós não desatados debulhados, como a água enxuta das grotas do meio do
mar.