quinta-feira, 16 de setembro de 2010

olhos

Os olhos às vezes param.
Para planejar,
Para planar por sobre outros olhares,
Por sobre cabeças.
Em por-de-sóis cansados,
calçados com chinelos de couro ou de nada.
Os olhos às vezes cansam.
De serem olhados
De se olharem.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sentir Frio

Ouvia os sons do tempo como quem sofre.
O contínuo estalar dos galhos secos no fogo
faziam tristeza em seu olhar.
Socorria a si mesmo quando em seu peito
caíam os prantos do sentir sozinho as mágoas alheias.

Sentia o calor das coisas enquanto dormia.
A eternidade lhe cobria, sempre que a friagem
vestia de veludo a noite.

Olhava em volta e nada via, nada mesmo.
Tudo estava fora do seu campo de visão,
não porque ele queria assim,
mas porque tudo era como que determinado.

Sumiam-se as coisas e o nada ocupava o lugar.
Só sentia frio nas noites quentes.