Investir é preciso,
tomar do tempo tudo o que nunca foi nosso.
Investir é vestir-se de negro e sair
cantarolando pelas ruas
cantigas esquecidas,
de tempos que não vivemos.
O tempo é preciso.
Sem precisão,
em procissão,
com previsão.
Investiremos nossas ações
em dicionários absurdos:
Absurdo - s. m. Tudo o que é certo e belo.
Dicionário - s. m. Onde se vêm as estrelas de dia.
Investir é precisamente impreciso.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
Som de Violinos
Ultimamente tenho tido muita coisa.
Gastei o que não tinha e me privei dos meus desejos. Anseios já não tenho nem o quê pensar eu posso. Fiz-me várias promessas vãs
cortei meus pulsos com navalhas enferrujadas,
as mesmas usadas na decaptação dos homens de Lampião.
Não quero mais ouvir nada,
não quero mais falar nada,
não quero mais ver nada.
Só sentir o que nunca sentirei.
Me irritar com o barulho odiável
dos mosquitos à noite,
os que povoam a minha insônia de poucos minutos. Dedilhar uma música que não conheço
e que nunca fará sucesso.
Quebrar o violão do meu irmão.
Dormir sem cessar.
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