Poderia estar atenta a tudo se quisesse, no entanto preferia ficar olhando o azul do céu. Gostava de deitar-se num chão qualquer à tardinha, isolada de todos, e ficar ouvindo o gorjeio dos pássaros do entardecer.
O azul que se pintava nessa hora era mais bonito, era um azul avemelhado pelo por do sol, por isso era mais apreciado.
Certo dia resolveu acordar mais cedo, antes de todos, antes até mesmo que do sol, e deitar-se na grama da pracinha do bairro onde morava. Ainda de camisola abriu o portão de casa e saiu no finzinho da madrugada. Deitou-se sem se importar com o orvalho que, sutilmente, acariciava a grama da praça. Percebeu então que céu do finzinho da madrugada era ainda mais bonito que o do entardecer.
Ver as estrelas se despedindo à chegada do sol foi esplêndido, era como se cada pontinho que ia sumindo exalasse um tilintar agudo em sua mente, produzindo uma música única e jamais tocada.