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| A Bruxa Hyulla e seu capacho Lodo |
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Paisagem Inerte
Trajeto-me por entre as vias erradas, certo estou de que meu futuro pertence aos outros. Caminho surdo sob uma luz que me cega, que me faz esquecer. Quero ouvir as cores da estrada, mas o que vejo são apenas texturas desconhecidas, abandonadas. Deito-me numa tábua cheia de gravuras, imagens, sentidos. Tateio-as, não as escuto. Tentam me contar suas histórias, seus anseios, suas mágoas. As ignoro sem querer. Desespero-me. Rio. Solto-me de mim. Fujo para dentro das pedras. Busco o silêncio. Ouço as nuvens caminhando, correndo, brincando.
Vejo ao longe as pessoas seguindo, em vão, por vias espinhosas, repletas de dores. Cheias de sujeira. Imundas de uma felicidade vil. Tento contê-las, resguardá-las do que está por vir. Não me veem, nem me ouvem, nem me tocam. Ignoram-me. Sofro dentro da pedra. Fujo para o infinito.
Vejo ao longe as pessoas seguindo, em vão, por vias espinhosas, repletas de dores. Cheias de sujeira. Imundas de uma felicidade vil. Tento contê-las, resguardá-las do que está por vir. Não me veem, nem me ouvem, nem me tocam. Ignoram-me. Sofro dentro da pedra. Fujo para o infinito.
Voar é melhor que esquecer de andar.
Rios deságuam num imenso abismo
Deleitam-se por entre as veias abertas,
por entre as valas, por entre as fendas do absurdo.
Ferem as entranhas da terra com
sua pele fria, molhada.
Abrem espaços entre o horror e a glória.
Rios deságuam dentro da Terra
como se o furor dela não existisse,
não reagisse.
Deleitam-se por entre as veias abertas,
por entre as valas, por entre as fendas do absurdo.
Ferem as entranhas da terra com
sua pele fria, molhada.
Abrem espaços entre o horror e a glória.
Rios deságuam dentro da Terra
como se o furor dela não existisse,
não reagisse.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
uma lágrima escorre criando uma vereda em minha face. meus sentimentos estão expostos.
Partida
Foi-se sem se despedir.
Despida de incoerências
com os braços a sorrir.
Foi-se, como um beija-flor
que se esquiva dos galhos
da vida. Foi-se sem temor.
Desistindo de tudo
acordada com todos.
Foi-se sem se despedir.
Despida de incoerências
com os braços a sorrir.
Foi-se, como um beija-flor
que se esquiva dos galhos
da vida. Foi-se sem temor.
Desistindo de tudo
acordada com todos.
Foi-se sem se despedir.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Poderosa Definição do Ser
Sermões e conselhos
calam-se ao anoitecer
dos olhos dos homens santos.
Acham-se capazes de serem
o que pensam que são.
Não o são.
Santificam-se no intento
de ser tanto e quanto não podem.
São santos avessos.
Sentem-se sãos.
Terão aversão aos deuses,
serão pó.
calam-se ao anoitecer
dos olhos dos homens santos.
Acham-se capazes de serem
o que pensam que são.
Não o são.
Santificam-se no intento
de ser tanto e quanto não podem.
São santos avessos.
Sentem-se sãos.
Terão aversão aos deuses,
serão pó.
Juízo Final
Delineado sobre o vento com as mãos postas sob o céu caminhávamos num pesar horrendo. Íamos conversando sobre tudo: as pessoas, os gostos, os pássaros.Éramos tristes, mas gostávamos daquele instante. Inexplicavelmente, aquele momento tinha sentido.
Depois de todo o cortejo, fomos em direção às águas. Banhamo-nos descontroladamente nas águas frias e profundas do desespero. De nada adiantava os urros, nem os clamores para que saíssemos dali. Estávamos como crianças mimadas e desobedientes. Estávamos tristes.
Logo ao meio dia veio o sinal. Aquela luz que ninguém soube de onde veio, mas que assustou à todos com sua escuridão. Todos, sob o céu negro, tiveram medo naquela hora. Mesmo que tenha durado apenas alguns segundos. Poucos segundos para se sentir medo.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Certos Sons
Sempre a cada amanhecer ouvia ruídos surdos que vinham de dentro do seu lado de fora. Corria sempre às cinco e sempre às cinco começava a ouvir tais sons. No início pensava serem os pássaros os músicos daquela melodia, no entanto, com o passar dos dias e com a frequência, que aumentava, começou a perceber que não eram os pássaros.
Parecia que vinham do lado de fora que estava dentro. Era estrando quando pensava assim, mas era assim que estava acontecendo.
Houve um momento em que passara uma hora parado no meio da rua, ouvindo. Porém, quanto mais se inclinava, quanto mais se debruçava, quanto mais se estendia em direção ao som, menos escutava e frustava-se com toda aquela estupidez. Sabia que aquilo não era normal, mas também não era anormal. Pensava que mais pessoas pudessem ouvir o que ouvia.
Decidiu então sair perguntando às pessoas acerca daquela música.
" - Nada, não ouço nada!" Respondeu-lhe uma senhora de cabelos pintados de roxo e de vestido de algodão que estava voltando pra casa com os pães numa manhã. "- Devem ser os pássaros." Ela completou.
E não conseguiu entender mais nada. A velha senhora num momento havia lhe dito que não escutava nada e em seguida que eram os pássaros. Talvez até fossem. Mas não eram.
Continuou sua rotina. Continuou a ouvir tais sons sem saber de onde vinham, mas que vinham do lado de fora que estava dentro.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Volta
Volto aos meus eus depois de passear por toda a vila. Sinto-me triste e sem ter o que pensar. Hoje mais cedo percebi o quanto as horas estão desreguladas em meu relógio inexistente. A cada minuto que não passava, me via mais solitário em meio àquela gente toda que me enchia de carinhos e me envolvia com palavras inúteis e desagradáveis.
Decidi voltar à mim quando do infortúnio que me acontecera, o estopim de toda a minha desilusão diária. Vi-me rodeado de mulheres e homens que ao me esvaziarem com suas roupas exuberantes e com um cheiro esquisito de perfume, acabaram por me fazer refletir sobre mim e sobre o mundo.
Voltei aos meus eus sozinho como sempre estive.
Líquido
Lia tudo o que via pela frente. Pedaços de papel em branco, pequenas anotações em folhas de jornal, embalagens de bala.
Lia também o que não vinha escrito. Utilizava seus olhos dos dedos, como se referia à essa estranha forma de leitura, para ler as imagens. Quando eram coloridas demais dizia serem um bom romance imaginativo. Quando era em preto e branco apenas contemplava com os olhos da face.
Lia coisas minúsculas como as formigas e os grãos de areia. E lia também as coisas grandes que ficavam em volta do céu e embaixo das casas. Era uma pessoa que não se importava com o tanto de páginas que lhe ofereciam os escritores do nada. Queria apenas poder ter o prazer de decifrar as coisas com os olhos dos dedos e os olhos da face.
Certa vez pôs-se a contemplar o mar, numa leitura infinita e bela. Calma, com marolas, sem fases eufóricas da Lua. Admirava a espuma, o gosto, a textura que o mar tinha quando se encontrava com seus pés, e quando chegava também nos joelhos.
Resolveu ir mais longe, ler mais de perto o que estava escrito dentro do mar. Sentiu uma coisa gostosa quando a água leu suas partes íntimas. Foi estupendo!
Quando o mar cobria-lhe os ombros viu que aquela era a hora exata da transubstanciação.
Transformara-se em letras de mar.
Virara um livro para os outros lerem com os olhos dos dedos.
Transformara-se, acima de tudo, em uma infinita leitura sobre a felicidade.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Bifurcação?
Deixo que o vento venha ao meu encontro.
Saberei assim, desviar meus pensamentos
E propor a mim um novo caminho.
Mais inconveniente e com menos rumores
Sobre meus atos.
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