Sempre a cada amanhecer ouvia ruídos surdos que vinham de dentro do seu lado de fora. Corria sempre às cinco e sempre às cinco começava a ouvir tais sons. No início pensava serem os pássaros os músicos daquela melodia, no entanto, com o passar dos dias e com a frequência, que aumentava, começou a perceber que não eram os pássaros.
Parecia que vinham do lado de fora que estava dentro. Era estrando quando pensava assim, mas era assim que estava acontecendo.
Houve um momento em que passara uma hora parado no meio da rua, ouvindo. Porém, quanto mais se inclinava, quanto mais se debruçava, quanto mais se estendia em direção ao som, menos escutava e frustava-se com toda aquela estupidez. Sabia que aquilo não era normal, mas também não era anormal. Pensava que mais pessoas pudessem ouvir o que ouvia.
Decidiu então sair perguntando às pessoas acerca daquela música.
" - Nada, não ouço nada!" Respondeu-lhe uma senhora de cabelos pintados de roxo e de vestido de algodão que estava voltando pra casa com os pães numa manhã. "- Devem ser os pássaros." Ela completou.
E não conseguiu entender mais nada. A velha senhora num momento havia lhe dito que não escutava nada e em seguida que eram os pássaros. Talvez até fossem. Mas não eram.
Continuou sua rotina. Continuou a ouvir tais sons sem saber de onde vinham, mas que vinham do lado de fora que estava dentro.
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