quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pequena Felicidade


Sinto. Muita felicidade refletida nos espelhos. Muito reflexo palpável. Muitas formas calculáveis. Sinto a pele que se esboça na ponta do lápis, no papel, na parede, no lençol.
Sóis. Lençóis. Lentos, quase parando. Quase que nem caminhando. Quase sendo ouvidos. Quase.
Saindo. Quase sendo esquecidos. Quase.
Talvez, quiçá o tempo nos ouça e possamos regurgitar tudo o que não falamos. Tudo o que engolimos sem querer. Quiçá, talvez as bolhas de sabão não mais estourem e seu vazio belo se promova se dissolva numa fusão confusa, explicável.
Belo seria. Todo o vazio se despejando no ar. Uma imensidão de palavras não ditas regurgitadas, vomitadas, execradas. Belo. Seria.
Mais ainda se os sentidos não mais pudessem ser sentidos. O gosto áspero do cheiro das janelas, o amargo toque que o vento molha, os frios raios de luz que chegam a fazer cócegas dentro de nós. E os nós não desatados debulhados, como a água enxuta das grotas do meio do mar. 

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