quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Entregue-me tua solidão


Deixe-me morrer na minha paz perdida, 

aqui dentro do nada. 
Nesse universo que criei para os outros. 
Deixe-me sozinho. 
Deixe-me comer meus pensamentos 
com aqueles talheres de barro. 
Vá! Fuja de minha ira indomável 
enquanto não lhe morda os dentes 
e sua ferida. 
Ande! 
Caminhe para o esquecimento das minhas vistas.
Vá para onde eu não consiga mais tocar seu perfume.
Deixa só um retalho teu, 
um corte, 
um grão de tua saliva junto à minha. 
Ou uma gota do teu suor.

Um comentário:

Leandro Costa disse...

Grande Márcio!
Que maneira bela e poética de dizer: "preciso ficar sozinho", me deixe em paz, dá um tempo, dê-me distância para eu sentir falta!"
O que é genuíno é belo! Obrigado pela partilha!